Animais Detritívoros

 

O que são animais detritívoros?


Os animais detritívoros são organismos que se alimentam de detritos orgânicos, isto é, restos de matéria orgânica em decomposição, como folhas mortas, fragmentos de madeira, cadáveres de outros seres vivos e fezes. Ao consumirem esse material, esses animais desempenham papel fundamental na reciclagem da matéria e no funcionamento dos ecossistemas, pois contribuem para a decomposição e para a devolução de nutrientes ao solo, à água e às cadeias alimentares.



Características principais:


- Alimentação baseada em detritos orgânicos:
os detritívoros consomem matéria orgânica morta ou em decomposição, diferindo dos herbívoros, que se alimentam de plantas vivas, e dos carnívoros, que consomem outros animais.


- Atuação direta no processo de decomposição: ao fragmentar fisicamente os restos orgânicos, esses animais facilitam a ação de fungos e bactérias decompositoras, acelerando a degradação da matéria.


- Importância ecológica na ciclagem de nutrientes: os resíduos resultantes de sua digestão enriquecem o solo ou o sedimento com nutrientes minerais, que podem ser reutilizados por plantas e outros produtores.


- Adaptações morfológicas e fisiológicas específicas: muitos detritívoros possuem sistemas digestórios adaptados à digestão de matéria pobre em energia, frequentemente associada a microrganismos simbiontes.


- Presença em diferentes níveis da cadeia alimentar: embora se alimentem de matéria morta, esses animais podem servir de alimento para predadores, integrando diversas teias alimentares.




Habitat e distribuição geográfica


Os animais detritívoros apresentam ampla distribuição geográfica, sendo encontrados em praticamente todos os ambientes do planeta. Eles ocorrem em ecossistemas terrestres, como florestas, campos, desertos e solos agrícolas, bem como em ambientes aquáticos, incluindo rios, lagos, manguezais e oceanos. Sua presença está diretamente relacionada à disponibilidade de matéria orgânica em decomposição, o que explica sua abundância em locais com grande acúmulo de restos vegetais ou animais, como o solo das florestas, o fundo de corpos d’água e regiões costeiras.




Exemplos de espécies:



- Minhoca (Lumbricus terrestris): as minhocas vivem no solo e alimentam-se de restos orgânicos misturados à terra. Ao escavar galerias, promovem a aeração do solo e melhoram sua estrutura, além de produzir húmus rico em nutrientes, essencial para a fertilidade do solo.


- Tatuzinho-de-jardim (Armadillidium vulgare): esse pequeno crustáceo terrestre consome folhas mortas e outros resíduos vegetais. Sua atividade contribui para a fragmentação da matéria orgânica, facilitando a decomposição e a reciclagem de nutrientes no ambiente terrestre.


- Camarão-detritívoro (Penaeus brasiliensis): encontrado em ambientes aquáticos costeiros, esse camarão alimenta-se de partículas orgânicas depositadas no fundo. Atua na limpeza do ambiente e na redistribuição da matéria orgânica nos ecossistemas marinhos.


- Pepino-do-mar (Holothuria grisea): esse equinodermo ingere sedimentos ricos em matéria orgânica no fundo do mar. Durante esse processo, seleciona partículas nutritivas e devolve o sedimento ao ambiente, contribuindo para a manutenção da qualidade do substrato marinho.

- Mosca-das-frutas (Drosophila melanogaster): apesar de ser mais conhecida por sua importância em estudos genéticos, essa espécie apresenta comportamento detritívoro em seu estágio larval. As larvas alimentam-se de matéria orgânica em decomposição, especialmente frutas fermentadas, contribuindo para a degradação desses resíduos e para a reciclagem de nutrientes em ambientes terrestres.


- Besouro rola-bosta (Scarabaeus sacer): esse inseto alimenta-se predominantemente de fezes de outros animais, que constituem um tipo de detrito orgânico. Ao enterrar e fragmentar esse material no solo, o besouro favorece a fertilização natural, melhora a estrutura do solo e reduz o acúmulo de resíduos orgânicos na superfície, desempenhando papel ecológico relevante em ecossistemas terrestres.

 


Relação entre detritívoros e decompositores microscópicos

 

Embora atuem de forma integrada no processo de decomposição, detritívoros e decompositores exercem funções distintas. Os detritívoros fragmentam fisicamente a matéria orgânica, enquanto fungos e bactérias realizam a decomposição química. A compreensão dessa complementaridade é fundamental para explicar a dinâmica da decomposição nos ecossistemas.



Diferença entre detritívoros, saprófagos e necrófagos

Frequentemente esses termos são utilizados como sinônimos, mas apresentam distinções conceituais. Detritívoros consomem matéria orgânica em decomposição de forma geral, saprófagos alimentam-se especificamente de matéria orgânica morta já em avançado estado de decomposição, e necrófagos consomem cadáveres de animais. Essa diferenciação é importante do ponto de vista didático e conceitual.



Papel dos detritívoros na formação e manutenção do solo

Além da ciclagem de nutrientes, esses animais influenciam diretamente a estrutura física do solo, sua porosidade, capacidade de retenção de água e estabilidade. Esse aspecto é central para a ecologia do solo e para a produtividade dos ecossistemas terrestres.



Importância dos detritívoros em cadeias e teias alimentares


Esses animais conectam níveis tróficos, transferindo energia da matéria orgânica morta para consumidores secundários e terciários. Essa função evidencia seu papel estratégico na manutenção do fluxo de energia nos ecossistemas.


Sensibilidade ambiental e bioindicadores


Muitos detritívoros são altamente sensíveis à poluição, ao uso de agrotóxicos e à degradação ambiental. Por esse motivo, algumas espécies são utilizadas como bioindicadores da qualidade do solo e da água, tema relevante para estudos ambientais e conservação.



Curiosidades:


- Muitos animais detritívoros possuem associação com microrganismos simbiontes em seu sistema digestório. Esses microrganismos auxiliam na quebra de substâncias complexas, como a celulose, permitindo que o animal aproveite melhor os nutrientes presentes nos detritos.

- Outra curiosidade é que a ausência ou redução de detritívoros em um ecossistema pode causar acúmulo excessivo de matéria orgânica morta. Esse desequilíbrio compromete a ciclagem de nutrientes, afeta a fertilidade do solo ou da água e pode provocar impactos negativos em toda a cadeia ecológica.

 

 

Infográfico com resumo sobre os animais detritívoros

Infográfico com síntese sobre os animais detritívoros.

 

 


 

Por Tânia Cabral - Professora de Biologia e Ciências do Ensino Fundamental e Médio - graduada na Unesp, 2001.

Publicado em 10/01/2026