Hifas dos Fungos
O que são as hifas?
As hifas são estruturas filamentosas que constituem a unidade básica do corpo dos fungos, formando a rede conhecida como micélio. Cada hifa corresponde a um tubo alongado composto por células organizadas linearmente, revestidas por uma parede celular rica em quitina. Elas surgem durante o desenvolvimento inicial do fungo e expandem-se continuamente pelo substrato, permitindo que o organismo explore o ambiente, absorva nutrientes e estabeleça relações ecológicas específicas. O crescimento das hifas ocorre preferencialmente na extremidade apical, onde há intensa atividade metabólica, garantindo expansão rápida e eficiente. Esse conjunto de propriedades torna as hifas essenciais para a sobrevivência, reprodução e adaptação dos fungos em diversos ecossistemas.
Características principais:
• Crescimento apical: as hifas se desenvolvem preferencialmente na extremidade, ponto em que ocorre intensa mitose e síntese de componentes da parede celular, favorecendo a expansão direcional.
• Septação variável: muitas hifas possuem septos, divisões internas que compartimentalizam suas células, permitindo controle do fluxo citoplasmático; em outras, o citoplasma é contínuo, formando hifas cenocíticas.
• Parede celular quitinosa: a parede é composta predominantemente por quitina, polímero que garante resistência mecânica, proteção contra alterações ambientais e prevenção da lise celular.
• Citoplasma dinâmico: o transporte de organelas, enzimas e nutrientes ocorre ao longo das hifas por meio de correntes citoplasmáticas que sustentam a atividade metabólica necessária ao crescimento.
• Ramificação: a formação de ramificações aumenta a capacidade de exploração do substrato, ampliando a área de contato e elevando a eficiência na obtenção de recursos.
• Plasticidade morfológica: a forma e o padrão de crescimento das hifas podem variar conforme condições ambientais, tipo de substrato e necessidades metabólicas, demonstrando elevada capacidade adaptativa.
• Formação de micélio: o conjunto de hifas interligadas compõe o micélio, estrutura que representa o corpo vegetativo do fungo e desempenha papel central na obtenção de nutrientes.
• Interação com o ambiente: as superfícies hifais possuem enzimas extracelulares capazes de degradar materiais orgânicos complexos, permitindo a colonização de ambientes variados.
Funções das hifas:
• Absorção de nutrientes: as hifas liberam enzimas que degradam moléculas orgânicas complexas em componentes simples, os quais são absorvidos ao longo de toda a extensão do filamento.
• Exploração do substrato: por seu crescimento contínuo, as hifas colonizam áreas amplas e profundas, aumentando as chances de encontrar recursos essenciais para o metabolismo fúngico.
• Fixação e sustentação: o micélio formado pelas hifas funciona como base estrutural do fungo, garantindo ancoragem ao substrato e estabilidade durante o crescimento.
• Participação na reprodução: algumas hifas especializam-se em estruturas reprodutivas, como esporangióforos ou basidióforos, que originam esporos responsáveis pela dispersão.
• Interações ecológicas: hifas estabelecem relações simbióticas, como as micorrizas, nas quais se associam a raízes de plantas para troca de nutrientes; também participam de relações parasitárias ou decompositoras.
• Decomposição da matéria orgânica: ao degradar compostos como lignina e celulose, as hifas contribuem de modo fundamental para a ciclagem de nutrientes e manutenção dos ecossistemas.
• Formação de biofilmes fúngicos: as hifas podem organizar-se em camadas estruturadas que favorecem proteção, troca de recursos e colonização coletiva de superfícies.
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| Hifas de Penicillium: imagem ampliada em microscópio. |
Formação de redes interconectadas
As hifas estabelecem conexões físicas entre diferentes regiões do micélio, criando uma rede que permite redistribuição eficiente de água, nutrientes e sinais químicos, o que fortalece a resposta coordenada do fungo diante de variações ambientais. Essa interconectividade favorece também a ocupação rápida de novos espaços e intensifica a competitividade do organismo no substrato.
Sensibilidade ambiental
As extremidades hifais possuem mecanismos de percepção capazes de detectar gradientes químicos, disponibilidade de nutrientes, presença de obstáculos e variações de umidade. Esse conjunto de sensores celulares orienta o crescimento direcional e ajusta o metabolismo, permitindo que o fungo responda de modo preciso às condições do ambiente e otimize sua sobrevivência.
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| Infográfico com resumo sobre as hifas dos fungos. |
Por Tânia Cabral - Professora de Biologia e Ciências do Ensino Fundamental e Médio - graduada na Unesp, 2001.
Publicado em 26/02/2026


