Como é a Respiração dos Aracnídeos?

 

Aspectos gerais


A respiração dos aracnídeos, grupo que inclui aranhas, escorpiões, ácaros e carrapatos, está diretamente relacionada ao ambiente terrestre em que esses organismos se diversificaram desde o período Siluriano, por volta de 430 milhões de anos atrás. Esses animais desenvolveram sistemas respiratórios adaptados à vida fora d’água, garantindo eficiência na captação de oxigênio atmosférico e na eliminação de dióxido de carbono. A estrutura e o funcionamento desses sistemas variam conforme a espécie, o ambiente ocupado e o nível de atividade metabólica. Os aracnídeos apresentam dois tipos principais de órgãos respiratórios: os pulmões foliáceos (também chamados de pulmões em livro) e a traqueia, podendo ocorrer apenas um tipo ou ambos no mesmo indivíduo. Esses sistemas oferecem grande superfície de contato com o ar e minimizam a perda de água, aspecto essencial para organismos terrestres.



Tipos de respiração, órgãos e como ocorre:



1. Respiração por pulmões foliáceos

Os pulmões foliáceos são estruturas internas formadas por lâminas finas e sobrepostas, lembrando páginas de um livro. Elas ficam organizadas em câmaras internas protegidas no interior do abdômen, acessíveis ao ambiente externo por pequenas aberturas denominadas estigmas. Essas lâminas aumentam drasticamente a superfície de troca gasosa, permitindo que o oxigênio penetre por difusão. O dióxido de carbono é eliminado pelo mesmo processo, seguindo o gradiente de concentração.

Esse tipo de respiração é predominante em grupos como escorpiões e diversas espécies de aranhas, sendo considerado um sistema altamente adaptado à vida terrestre. A eficiência dos pulmões foliáceos está associada à capacidade de manter a umidade interna, já que as câmaras permanecem relativamente isoladas do ambiente. A circulação interna do aracnídeo complementa o processo: a hemolinfa recebe o oxigênio das lâminas foliáceas e o distribui pelo corpo através de um sistema aberto.

A ventilação pode ser passiva, ocorrendo apenas pela movimentação natural da hemolinfa e do gradiente de concentração, ou ativa, quando o animal realiza movimentos abdominais rítmicos que promovem a entrada e saída do ar. Em escorpiões, essa ventilação é mais perceptível devido ao tamanho e à rigidez do corpo, permitindo que a troca gasosa ocorra de forma contínua, mesmo em ambientes áridos.


2. Respiração traqueal

O sistema traqueal é caracterizado por uma rede de tubos internos ramificados que conduzem o ar diretamente aos tecidos e células, sem participação significativa da hemolinfa no transporte de gases. Esses tubos, chamados traqueias, comunicam-se com o exterior por meio de estigmas, que podem ser regulados pelo animal para controlar a entrada de ar e evitar a desidratação. A chegada do oxigênio diretamente às células torna o processo extremamente eficiente para espécies com altas demandas metabólicas.

Nas aranhas que possuem traqueias, o sistema costuma funcionar em conjunto com pulmões foliáceos, complementando a oxigenação em situações de maior atividade, como deslocamento rápido ou captura de presas. Já em pequenos aracnídeos, como alguns ácaros, as traqueias podem ser reduzidas ou ausentes, e a troca gasosa ocorre diretamente pela superfície do corpo devido ao tamanho diminuto. Em espécies que possuem apenas traqueias, a ventilação pode ocorrer por diferença de pressão interna ou pela própria movimentação corporal, que comprime e expande as estruturas tubulares.

O sistema traqueal apresenta significativa variação anatômica entre os aracnídeos. Em algumas espécies, as traqueias são longas e ramificadas, alcançando diversas regiões do corpo; em outras, formam estruturas mais simples e menos extensas. Essa diversidade está ligada ao habitat e à ecologia de cada grupo, refletindo adaptações evolutivas ao longo de milhões de anos.


3. Respiração mista

Diversos aracnídeos apresentam simultaneamente pulmões foliáceos e traqueias. Esse arranjo proporciona dupla via de entrada de oxigênio e permite maior flexibilidade fisiológica. Aranhas do gênero Araneidae, por exemplo, possuem um par de pulmões foliáceos e um sistema traqueal complementar que amplia a eficiência da respiração. Isso favorece comportamentos de atividade intensa, como a construção diária de teias ou a captura ágil de presas.

A coexistência dos dois sistemas também permite maior resistência em ambientes variados. Em condições de baixa umidade, os pulmões foliáceos, menos expostos, reduzem a perda hídrica. Em contrapartida, em situações de alta demanda energética, como fuga de predadores ou produção de seda, a traqueia oferece oxigenação mais rápida. Essa combinação de estruturas respiratórias garante aos aracnídeos ampla versatilidade ecológica.



Características adaptativas


Os sistemas respiratórios dos aracnídeos apresentam mecanismos que reduzem a perda de água, fator fundamental para a sobrevivência em ambientes terrestres desde o período Devoniano (419 a 359 milhões de anos atrás). Os estigmas podem permanecer parcialmente fechados, diminuindo a evaporação. As câmaras internas dos pulmões em livro mantêm-se úmidas e protegidas, e as traqueias possibilitam trocas eficientes sem necessidade de circulação constante de ar externo.

Outro aspecto adaptativo refere-se ao controle metabólico. Aracnídeos conseguem modificar a taxa respiratória conforme suas necessidades. Em períodos de inatividade, reduzem a ventilação e a frequência das trocas gasosas. Durante a caça, aumentam a circulação interna e os movimentos abdominais, otimizando a absorção de oxigênio. Essas estratégias permitem que espécies como as aranhas-lobo, de grande mobilidade, sustentem longos períodos de atividade.



Comparações entre os tipos de respiração


Os pulmões foliáceos apresentam elevada capacidade de troca gasosa devido à grande superfície interna. São particularmente eficientes para animais de maior porte, como escorpiões, que necessitam de estruturas robustas e protegidas. A desvantagem reside no menor controle sobre a ventilação quando comparado ao sistema traqueal, que responde de forma mais rápida às variações de demanda metabólica.

O sistema traqueal, por sua vez, garante transporte rápido do oxigênio diretamente às células. Ele é vantajoso para espécies menores ou muito ativas. No entanto, a presença de traqueias altamente ramificadas demanda espaço interno significativo e pode limitar o tamanho corporal. Já o sistema misto combina as vantagens de ambos, especialmente em aranhas que alternam momentos de baixa e alta atividade.

 

Infográfico com resumo sobre os tipos de respiração das aracnídeos
Infográfico com resumo sobre os tipos de respiração dos aracnídeos e suas características.

 

 


 

Por Tânia Cabral - Professora de Biologia e Ciências do Ensino Fundamental e Médio - graduada na Unesp, 2001.

Publicado em 02/03/2026