Sapos

 

O que são sapos?


Os sapos são anfíbios pertencentes à ordem Anura, grupo que reúne animais caracterizados pela ausência de cauda na fase adulta, corpo robusto, hábitos predominantemente terrestres e grande dependência de ambientes úmidos para sobrevivência. Integram a família Bufonidae, que abrange espécies conhecidas por sua pele espessa, presença de glândulas paranoides e comportamento defensivo baseado em secreções tóxicas. Esses organismos desempenham funções ecológicas essenciais e apresentam amplo sucesso adaptativo em diferentes biomas.



Características físicas principais:


Pele

A pele é espessa, seca e repleta de glândulas produtoras de substâncias tóxicas, o que reduz a perda de água e atua como mecanismo de defesa contra predadores.


Glândulas paranoides

As glândulas paranoides, localizadas atrás dos olhos, secretam toxinas capazes de causar irritações ou intoxicações em potenciais ameaças, constituindo um importante recurso defensivo.


Membros posteriores

Os membros posteriores são curtos e fortes, conferindo deslocamento por pequenos saltos em vez de longos impulsos, como ocorre em rãs.


Cabeça

A cabeça apresenta olhos proeminentes, língua projetável e boca ampla, permitindo capturar presas com agilidade.


Língua

A língua é pegajosa e adaptada para projeção rápida, facilitando a captura de invertebrados.



Alimentação


Os sapos possuem dieta predominantemente carnívora. Consomem insetos, aranhas, pequenos invertebrados e, em algumas espécies maiores, pequenos vertebrados. Sua função predatória contribui para o equilíbrio populacional de diversas espécies de artrópodes.



Reprodução e desenvolvimento

 

Fase 1: período reprodutivo e estímulos ambientais

A reprodução dos sapos está diretamente associada a fatores ambientais, especialmente o aumento da umidade e das chuvas. Esses estímulos favorecem a atividade reprodutiva, pois garantem a presença de corpos d’água adequados para a postura dos ovos e o desenvolvimento das larvas. Durante esse período, os machos tornam-se mais ativos e passam a emitir vocalizações específicas para atrair as fêmeas e delimitar território.


Fase 2: vocalização e seleção do parceiro

Os machos utilizam o saco vocal para amplificar os sons emitidos, produzindo cantos característicos de cada espécie. Essas vocalizações permitem que as fêmeas identifiquem indivíduos da mesma espécie e selecionem parceiros mais aptos, geralmente associados a maior vigor físico e melhor posição no ambiente aquático.


Fase 3: amplexo

Após a aproximação, ocorre o amplexo, comportamento no qual o macho envolve o corpo da fêmea com os membros anteriores. Esse contato pode durar horas ou dias e garante a sincronização entre a liberação dos óvulos pela fêmea e a liberação do esperma pelo macho.

Fase 4: fecundação externa
A fecundação é externa e ocorre no ambiente aquático. À medida que a fêmea libera os óvulos, o macho libera os gametas masculinos, permitindo a fecundação imediata. Os ovos são envolvidos por uma substância gelatinosa que oferece proteção contra desidratação e pequenos predadores.


Fase 5: desenvolvimento embrionário

Os ovos permanecem na água, aderidos à vegetação aquática ou depositados diretamente no fundo. O desenvolvimento embrionário é relativamente rápido, variando conforme a temperatura e a espécie. Durante essa fase, formam-se as estruturas básicas do futuro girino.


Fase 6: fase larval

Após a eclosão, surgem os girinos, organismos aquáticos dotados de cauda longa, corpo alongado e brânquias para respiração. Nessa etapa, a alimentação é predominantemente herbívora ou detritívora, baseada em algas e matéria orgânica presente na água.


Fase 7: metamorfose

Com o crescimento, o girino inicia a metamorfose. Ocorre o surgimento progressivo dos membros posteriores, seguido dos membros anteriores. As brânquias são substituídas por pulmões, e a cauda começa a ser reabsorvida, fornecendo nutrientes para a reorganização corporal.


Fase 8: fase juvenil

Ao final da metamorfose, o animal assume a forma de um sapo jovem, já apto a sair do ambiente aquático. Nessa fase, a respiração pulmonar e cutânea está estabelecida, e a dieta passa a ser carnívora, baseada principalmente em pequenos invertebrados.


Fase 9: fase adulta

Na fase adulta, o sapo atinge maturidade sexual e passa a participar ativamente do ciclo reprodutivo. O organismo apresenta todas as características típicas da espécie, incluindo comportamento territorial, vocalização e adaptação definitiva ao ambiente terrestre, mantendo dependência da água apenas para a reprodução.



Habitat e distribuição geográfica


Os sapos estão amplamente distribuídos no planeta, com exceção de regiões extremamente frias. Habitam florestas, áreas de cerrado, manguezais, áreas úmidas, campos e ambientes próximos a corpos d'água. No continente americano, especialmente no Brasil, apresentam grande biodiversidade devido à variedade de biomas tropicais e subtropicais.



Comportamento


Sapos possuem hábitos crepusculares ou noturnos, utilizando a umidade desse período para evitar a perda de água. Muitos permanecem imóveis durante longos intervalos, aguardando presas. Para defesa, utilizam secreções tóxicas, postura corporal inflada e comportamentos intimidatórios.



Importância ecológica


Os sapos atuam como importantes controladores biológicos, reduzindo populações de insetos e outros invertebrados. Servem também como presas para diversas aves, serpentes e mamíferos, integrando cadeias tróficas complexas. A presença de sapos indica qualidade ambiental, pois são extremamente sensíveis à poluição e alterações climáticas, funcionando como bioindicadores.



Seis exemplos de espécies de sapos:


1. Sapo-cururu (Rhinella marina)

Espécie amplamente distribuída no Brasil e em outras regiões tropicais. Caracteriza-se pelo grande porte, pele espessa e potente glândula paranoide. Adaptou-se com eficiência a ambientes antropizados e desempenha relevante papel no controle de insetos.


2. Rhinella icterica

Espécie comum em áreas da Mata Atlântica e regiões subtropicais. Apresenta coloração acastanhada, glândulas paranoides desenvolvidas e comportamento noturno marcado. Vive próxima a ambientes úmidos e é frequentemente encontrada em áreas urbanas arborizadas.


3. Rhinella schneideri

Espécie de ampla distribuição no Cerrado e Pantanal. Possui coloração parda, corpo robusto e secreções mais tóxicas. Demonstra elevada resistência a períodos secos, evidenciando adaptabilidade a condições ambientais mais rigorosas.

 

4. Rhinella granulosa

Espécie comum em regiões semiáridas do Nordeste brasileiro. Possui porte pequeno, coloração amarelada ou acastanhada e grande resistência à baixa umidade, vivendo frequentemente em áreas abertas e próximas a formações de Caatinga. Adapta-se bem a períodos secos, utilizando abrigos naturais no solo para reduzir a perda hídrica.


5. Rhinella ornata

Presente principalmente na Mata Atlântica, essa espécie apresenta coloração variada, com tons de marrom e manchas irregulares que favorecem a camuflagem entre folhas e troncos. É frequentemente encontrada em áreas florestais úmidas e próximas a córregos, exibindo hábitos noturnos e dieta baseada em insetos e pequenos invertebrados.


6. Rhinella hoogmoedi

Espécie encontrada em regiões de floresta tropical úmida, especialmente na Amazônia. Caracteriza-se por corpo robusto, pele granulosa e hábitos predominantemente noturnos. Costuma permanecer imóvel durante longos períodos, adotando um comportamento de espera para capturar presas, e demonstra grande dependência de ambientes bem preservados para reprodução e desenvolvimento.




Ameaças e conservação


Os sapos enfrentam declínio populacional global devido à destruição de habitats, desmatamento, urbanização e contaminação de recursos hídricos por agrotóxicos. As alterações climáticas agravam esse cenário ao modificar regimes de chuva, reduzir áreas úmidas e impactar diretamente a reprodução. Outro fator crítico é a quitridiomicose, doença causada pelo fungo Batrachochytrium dendrobatidis, responsável por mortalidade elevada em diversas espécies. Programas de conservação incluem criação de bancos genéticos, manejo de populações em cativeiro, restauração de ambientes naturais e monitoramento sanitário. A sensibilização pública e o controle de agentes poluentes também são estratégias essenciais para a preservação desses anfíbios.



Adaptações fisiológicas


Os sapos exibem adaptações fisiológicas que favorecem sua sobrevivência em ambientes variados. A respiração cutânea complementa a pulmonar, permitindo trocas gasosas mesmo em repouso prolongado ou em períodos de umidade elevada. O metabolismo apresenta flexibilidade conforme a disponibilidade hídrica, reduzindo a atividade em épocas secas para evitar desidratação. Em espécies de regiões áridas, ocorre estivação, processo em que o animal reduz drasticamente o consumo de energia e permanece enterrado no solo até o retorno das chuvas. O sistema excretor também auxilia na conservação de água, ajustando a concentração da urina de acordo com as condições ambientais. Essas características revelam a versatilidade fisiológica que possibilita a ocupação de múltiplos ecossistemas.

 

Veneno e defesas químicas


Algumas espécies de sapos possuem venenos potentes produzidos por glândulas especializadas, principalmente as glândulas paranoides localizadas atrás dos olhos. Essas secreções têm função defensiva e são compostas por substâncias capazes de causar irritação, náusea, edema e, em casos mais intensos, intoxicações severas em predadores. A toxicidade varia conforme a espécie, o ambiente e a dieta, mas desempenha papel fundamental na sobrevivência desses anfíbios.

O sapo-cururu, conhecido cientificamente como Rhinella marina, é um dos exemplos mais representativos. Suas secreções contêm bufotoxinas, compostos que afetam o sistema nervoso e cardiovascular de animais que tentam predá-lo. Outra espécie relevante é Rhinella schneideri, cujas toxinas apresentam maior concentração e podem provocar reações mais intensas, sendo reconhecida como uma das espécies mais tóxicas da família Bufonidae na América do Sul. Em ambas as espécies, o veneno não é utilizado para caça, mas exclusivamente para defesa, reforçando sua importância ecológica em ambientes onde predadores são numerosos.

 

 

Foto de um sapo da espécie Rhinella schneideri

Sapo-cururu (Rhinella schneideri): exemplo de sapo venenoso.



Curiosidades:


- Os sapos possuem a capacidade de inflar o corpo para parecerem maiores, dificultando a predação.


- Os olhos auxiliam na deglutição, empurrando mecanicamente o alimento para dentro da boca quando retraídos.

 

 

Infográfico sobre as características dos sapos

Síntese das características e vida dos sapos.

 

 


 

Por Tânia Cabral - Professora de Biologia e Ciências do Ensino Fundamental e Médio - graduada na Unesp, 2001.

Publicado em 20/01/2026