Questões de Biologia da Conservação
TESTES DE MÚLTIPLA ESCOLHA:
1. Qual alternativa descreve de forma mais adequada o objetivo central da Biologia da Conservação?
A – Proteger a diversidade de espécies, garantindo que populações animais e vegetais permaneçam estáveis ao longo do tempo por meio de estratégias de manejo sustentado.
B – Aumentar a produção agrícola utilizando técnicas que intensifiquem o uso do solo sem considerar impactos ambientais.
C – Focar apenas na reprodução de espécies em cativeiro sem avaliar a preservação dos ambientes naturais.
D – Substituir ecossistemas naturais por áreas urbanizadas planejadas para reduzir riscos ambientais.
E – Promover o crescimento econômico ilimitado como prioridade sobre qualquer forma de proteção ambiental.
2. A perda de habitat ocorre quando:
A – Grandes áreas naturais são transformadas em parques de preservação totalmente protegidos.
B – Ambientes são alterados pela ação humana de modo que espécies nativas deixam de encontrar condições adequadas para sobreviver.
C – Animais passam a migrar entre diferentes biomas em busca de melhores condições alimentares sazonais.
D – A vegetação cresce de forma exagerada, dificultando a circulação de animais herbívoros em determinadas regiões.
E – Ecossistemas passam por processos naturais de sucessão ecológica sem interferência humana.
3. A fragmentação de habitats prejudica as populações porque:
A – Aumenta a disponibilidade de corredores ecológicos contínuos que favorecem a circulação de organismos sensíveis.
B – Facilita o deslocamento de espécies predadoras que controlam a cadeia alimentar de forma equilibrada.
C – Reduz o tamanho e a conectividade das áreas naturais, dificultando o fluxo genético e aumentando o risco de extinção local.
D – Provoca a formação de novas áreas úmidas que auxiliam na manutenção de espécies específicas de aves aquáticas.
E – Amplia o número de refúgios naturais, garantindo maior proteção contra riscos ambientais.
4. A poluição representa um problema para a conservação da biodiversidade porque:
A – Amplia a capacidade de dispersão das sementes e melhora o crescimento das plantas sensíveis a toxinas.
B – Fornece nutrientes em excesso para melhorar a qualidade dos solos agrícolas.
C – Aumenta a pureza das águas e favorece organismos que dependem de ambientes não contaminados.
D – Introduz substâncias prejudiciais no ar, na água e no solo, afetando diretamente a saúde de espécies e ecossistemas.
E – Reduz qualquer tipo de impacto ambiental ao acelerar processos naturais de reciclagem química.
5. Qual alternativa explica corretamente o conceito de espécie ameaçada?
A – Qualquer espécie que apresenta ampla distribuição geográfica e populações estáveis em diversos biomas mundiais.
B – Espécies que ocupam áreas extensas e não apresentam riscos associados à perda de habitat ou caça.
C – Conjuntos de organismos que possuem alta capacidade reprodutiva e mantêm taxas populacionais elevadas.
D – Animais e plantas classificados por apresentarem risco muito baixo de desaparecer, não sendo prioridades para a conservação.
E – Organismos cujas populações estão diminuindo e que correm risco real de desaparecer caso não recebam proteção adequada.
6. Ao estudar cadeias alimentares na conservação:
A – Entende-se que a remoção de uma única espécie, mesmo que pequena, pode alterar toda a estrutura ecológica, comprometendo predadores, presas e produtores.
B – Percebe-se que a eliminação de organismos herbívoros não afeta significativamente predadores de topo.
C – Observa-se que a introdução de espécies exóticas sempre fortalece as relações ecológicas naturais.
D – Considera-se que a extinção de produtores primários não interfere de maneira relevante no funcionamento do ecossistema.
E – Conclui-se que os decompositores podem ser excluídos do sistema sem gerar qualquer consequência ambiental.
7. A introdução de espécies exóticas invasoras torna-se um problema quando:
A – Os organismos introduzidos passam a competir com espécies nativas, alterando o equilíbrio ecológico e dificultando a sobrevivência de populações locais.
B – A presença das espécies exóticas aumenta a diversidade sem gerar alterações profundas nos ecossistemas originais.
C – Os organismos invasores são incapazes de ocupar nichos ecológicos já preenchidos pelas espécies nativas.
D – A introdução ocorre apenas de maneira controlada em áreas isoladas e com monitoramento constante.
E – Os ecossistemas possuem alta resistência e impedem automaticamente que espécies invasoras se estabeleçam.
8. A manutenção dos recursos hídricos é importante para a conservação porque:
A – A água limpa sustenta cadeias alimentares aquáticas e terrestres, garantindo que espécies encontrem condições adequadas para sobreviver e se reproduzir.
B – As fontes de água poluída geralmente aumentam a tolerância das espécies à contaminação química.
C – A escassez hídrica não afeta organismos terrestres, que dependem exclusivamente do ar para sobreviver.
D – Os ambientes aquáticos poluídos favorecem a proliferação equilibrada de todos os tipos de organismos, inclusive os sensíveis.
E – A redução de mananciais naturais melhora a distribuição de espécies ao limitar a competição por água.
9. A floresta exerce papel fundamental na conservação da biodiversidade porque:
A – Estimula a substituição de espécies nativas por organismos modificados que aumentam a produtividade humana.
B – Fornece ambientes exclusivamente uniformes, com pouca variação de micro-habitats.
C – Mantém grande variedade de nichos ecológicos, permitindo que diversas espécies encontrem abrigo, alimento e condições de sobrevivência.
D – Reduz naturalmente a quantidade de matéria orgânica disponível no solo, limitando o desenvolvimento do ecossistema.
E – Impede a formação de cadeias alimentares complexas, promovendo ambientes simplificados.
10. Uma unidade de conservação tem como função principal:
A – Ampliar o uso de áreas naturais para projetos industriais de grande escala.
B – Transformar ecossistemas nativos em locais destinados exclusivamente ao turismo comercial, sem regulação ambiental.
C – Reduzir a diversidade biológica para facilitar o monitoramento de populações específicas.
D – Criar espaços destinados a atividades humanas intensivas, com redução de áreas verdes.
E – Proteger ecossistemas e espécies ameaçadas, garantindo a manutenção de processos ecológicos essenciais.
11. A educação ambiental contribui para a Biologia da Conservação porque:
A – Estimula a compreensão de que atitudes diárias podem reduzir impactos ambientais, promovendo mudanças no comportamento coletivo e individual.
B – Incentiva a população a consumir indiscriminadamente produtos naturais para manter o equilíbrio ecológico.
C – Reduz a participação de cidadãos em projetos de preservação ao gerar desinteresse pela natureza.
D – Limita o acesso das comunidades a informações sobre a fauna e a flora de seus territórios.
E – Enfatiza que a responsabilidade de conservação cabe exclusivamente aos órgãos governamentais.
12. Um bioma pode ser caracterizado como:
A – Uma área que reúne condições climáticas, vegetação e fauna semelhantes, formando grandes unidades ecológicas observadas em diferentes regiões do planeta.
B – Um pequeno conjunto de organismos que vivem em uma única árvore e compartilham os mesmos recursos imediatos.
C – Um grupo de animais que habita zonas costeiras e apresenta comportamentos migratórios previsíveis.
D – Um tipo de solo que contém quantidades específicas de minerais essenciais aos produtores.
E – Um conjunto de rios interligados que dependem exclusivamente da ação humana para se manterem estáveis.
13. A importância da diversidade genética para as populações está relacionada ao fato de que:
A – Populações com maior variedade genética possuem maior capacidade de adaptação a mudanças ambientais, garantindo maior probabilidade de sobrevivência.
B – Uma população geneticamente uniforme tende a resistir melhor a doenças e predadores.
C – A ausência de diversidade genética fortalece a capacidade reprodutiva de organismos isolados.
D – A variação genética reduz a possibilidade de evolução e dificulta o surgimento de características vantajosas.
E – A diversidade genética aumenta o risco de extinção ao gerar excesso de combinações hereditárias.
14. A restauração de ecossistemas busca:
A – Repor as condições naturais de ambientes degradados, recuperando funções ecológicas e permitindo o retorno gradual de espécies nativas.
B – Substituir espécies sensíveis por organismos que suportam condições extremas, mesmo que não pertençam ao local.
C – Transformar áreas naturais em espaços que atendam apenas às necessidades humanas de consumo.
D – Interromper processos naturais de regeneração para evitar mudanças na composição da paisagem.
E – Estimular a perda de biodiversidade como forma de equilibrar populações em declínio.
15. A sobrepesca torna-se uma ameaça à conservação marinha quando:
A – A exploração excessiva reduz populações de peixes, quebra o equilíbrio das cadeias alimentares oceânicas e dificulta a recuperação natural dos estoques.
B – A pesca moderada incentiva a reposição natural e mantém a estabilidade da biodiversidade.
C – A prática é controlada por legislação e monitorada para evitar impactos negativos.
D – Pescadores utilizam técnicas sustentáveis que preservam espécies vulneráveis.
E – A captura seletiva é feita com equipamentos que evitam danos aos ecossistemas marinhos.
16. Considerando os princípios da Biologia da Conservação, qual alternativa apresenta a estratégia mais adequada para minimizar os impactos da fragmentação de habitats em regiões altamente urbanizadas?
A – Promover o adensamento urbano para concentrar a população e liberar áreas naturais intactas sem conectividade planejada.
B – Instalar corredores ecológicos que permitam o deslocamento de espécies entre fragmentos, favorecendo o fluxo genético e diminuindo o isolamento populacional.
C – Substituir fragmentos naturais por áreas ajardinadas com espécies ornamentais, priorizando apenas o paisagismo urbano.
D – Realizar o reflorestamento exclusivamente com espécies exóticas de rápido crescimento para acelerar a recomposição vegetal.
E – Incentivar a expansão agrícola ao redor dos fragmentos como forma de estabilizar as margens dos ecossistemas.
17. Em relação às espécies invasoras, assinale a alternativa que descreve corretamente um impacto típico causado por esses organismos em ecossistemas naturais:
A – Aumento da diversidade genética entre populações nativas devido ao cruzamento natural entre espécies distintas e compatíveis.
B – Estímulo ao equilíbrio ambiental, já que as invasoras tendem a ocupar nichos que estavam completamente vazios.
C – Redução da biodiversidade por meio da competição intensa por recursos, podendo eliminar espécies locais com menor capacidade adaptativa.
D – Melhoria nas taxas de regeneração natural dos ecossistemas, pois as invasoras aceleram todos os processos de sucessão ecológica.
E – Proteção das espécies nativas contra predadores ao formar barreiras populacionais que impedem a movimentação de animais.
18. A seleção natural está diretamente relacionada à conservação da biodiversidade porque:
A – Promove exclusivamente a sobrevivência de espécies com maior número de indivíduos, eliminando automaticamente espécies raras.
B – Atua apenas em ambientes altamente preservados, sem influência de mudanças antrópicas.
C – Impede qualquer tipo de adaptação em organismos afetados por alterações ambientais provocadas pelos seres humanos.
D – Favorece indivíduos com características vantajosas em determinados ambientes, contribuindo para a adaptação das populações a novas condições ecológicas.
E – Controla de forma direta a quantidade de recursos disponíveis, regulando artificialmente o equilíbrio ecológico.
QUESTÕES DISCURSIVAS:
19. Explique de que maneira a perda de habitat afeta o equilíbrio dos ecossistemas e a sobrevivência das espécies, considerando especialmente regiões que passam por expansão urbana acelerada.
20. Descreva como a presença de espécies exóticas invasoras pode modificar as interações ecológicas em um ambiente natural, indicando os impactos que essas alterações geram para as populações nativas.
21. Analise a importância da diversidade genética para a sobrevivência das espécies em ambientes que sofrem mudanças ambientais rápidas, explicando por que populações com baixa variabilidade genética tornam-se mais vulneráveis.
22. Explique por que a preservação dos recursos hídricos é essencial para a conservação da biodiversidade, destacando como a qualidade da água influencia diretamente a manutenção das cadeias alimentares.
GABARITO COMENTADO:
1 A
A alternativa apresenta o propósito central da Biologia da Conservação ao destacar a preservação da diversidade de espécies e a manutenção de populações estáveis, o que reflete a essência dessa área, que combina princípios biológicos, ecológicos e de manejo ambiental para garantir que organismos e ecossistemas continuem funcionando de forma equilibrada.
2 B
A perda de habitat ocorre quando a ação humana modifica o ambiente de tal maneira que as espécies nativas deixam de encontrar condições adequadas de sobrevivência, levando à diminuição populacional e, em casos mais graves, ao desaparecimento local de determinados organismos.
3 C
A fragmentação de habitats prejudica populações ao dividir áreas naturais em porções menores e isoladas, reduzindo a conectividade e dificultando o fluxo genético, o que aumenta vulnerabilidades ecológicas e eleva o risco de extinções locais.
4 D
A poluição afeta diretamente a biodiversidade ao introduzir substâncias tóxicas no ar, na água e no solo, comprometendo processos vitais, reduzindo a sobrevivência de organismos e causando alterações profundas no funcionamento dos ecossistemas.
5 E
Uma espécie ameaçada é aquela cujas populações estão diminuindo e que enfrenta risco real de desaparecer caso não haja medidas de proteção, já que fatores como perda de habitat, caça e poluição reduzem sua capacidade de manter níveis populacionais estáveis.
6 A
A retirada de um único organismo em uma cadeia alimentar pode desorganizar toda a estrutura ecológica, pois cada espécie possui papel funcional específico, e desequilíbrios nos níveis tróficos podem gerar efeitos em cascata que comprometem a estabilidade do ecossistema.
7 A
Espécies exóticas invasoras causam prejuízos ao competir por recursos, modificar relações ecológicas naturais e reduzir a sobrevivência de espécies nativas, influenciando negativamente a estrutura dos ecossistemas e dificultando a manutenção da biodiversidade.
8 A
A preservação dos recursos hídricos é essencial porque a água limpa sustenta cadeias alimentares, permite a reprodução de organismos e mantém processos ecológicos fundamentais, tornando-se um componente indispensável para a conservação da vida em diferentes ambientes.
9 C
As florestas abrigam uma grande variedade de nichos ecológicos, oferecendo abrigo, alimento e condições de sobrevivência para inúmeras espécies, o que as torna ambientes estratégicos para a manutenção da diversidade biológica.
10 E
As unidades de conservação têm a função de proteger ecossistemas e espécies ameaçadas, assegurando que processos ecológicos essenciais continuem ocorrendo e permitindo que a biodiversidade seja preservada de forma contínua e organizada.
11 A
A educação ambiental estimula mudanças de comportamento ao mostrar que atitudes cotidianas influenciam diretamente o ambiente, promovendo consciência, participação e responsabilidade coletiva em ações voltadas à conservação da natureza.
12 A
Um bioma é definido por características climáticas, vegetacionais e faunísticas semelhantes, formando grandes unidades ecológicas que ajudam a compreender como diferentes regiões do planeta se estruturam e como a biodiversidade se distribui.
13 A
A diversidade genética aumenta a capacidade adaptativa de populações, pois a variedade de genes permite que alguns indivíduos possuam características vantajosas diante de mudanças ambientais, favorecendo a sobrevivência e reduzindo riscos de extinção.
14 A
A restauração busca recuperar condições naturais de ecossistemas degradados, reativando funções ecológicas e possibilitando que espécies nativas retornem gradualmente, reconstruindo a complexidade ambiental perdida.
15 A
A sobrepesca ameaça a conservação marinha ao reduzir drasticamente populações de peixes, interromper relações ecológicas importantes nas cadeias alimentares e dificultar a recuperação natural dos estoques, comprometendo a saúde dos oceanos e sua biodiversidade.
16 B
A criação de corredores ecológicos é uma das estratégias mais eficazes para minimizar os efeitos da fragmentação, pois amplia a conectividade entre áreas isoladas, permitindo a circulação de indivíduos, reduzindo o isolamento reprodutivo e favorecendo o fluxo gênico, o que fortalece a adaptação e a sobrevivência das populações ao longo do tempo.
17 C
Espécies invasoras tendem a competir intensamente por alimento, espaço e outros recursos essenciais, superando espécies nativas que apresentam menor capacidade adaptativa. Esse processo leva à redução da biodiversidade, altera interações ecológicas e compromete o equilíbrio dos ecossistemas, tornando a conservação mais desafiadora.
18 D
A seleção natural contribui para a conservação ao permitir que indivíduos mais aptos se adaptem a novas condições ambientais, especialmente em contextos de mudanças aceleradas. Essa dinâmica favorece a continuidade das populações ao longo das gerações, reforçando a importância da variabilidade genética e dos processos evolutivos para a manutenção da biodiversidade.
19.
A perda de habitat compromete o equilíbrio dos ecossistemas porque reduz o espaço disponível para que as espécies encontrem alimento, abrigo e locais de reprodução. Quando áreas naturais são substituídas por construções e atividades humanas, as populações tendem a diminuir ou desaparecer, o que afeta as relações ecológicas e enfraquece toda a dinâmica ambiental.
20.
As espécies exóticas invasoras alteram as interações naturais ao competir intensamente com as espécies nativas por recursos como alimento e espaço. Essa competição pode reduzir ou eliminar populações locais, modificar cadeias alimentares e desequilibrar processos ecológicos, tornando o ambiente menos estável e dificultando a conservação da biodiversidade.
21.
A diversidade genética é fundamental porque aumenta as chances de que alguns indivíduos possuam características vantajosas diante de novas condições ambientais. Populações com baixa variabilidade genética têm dificuldade de se adaptar a mudanças e tornam-se mais suscetíveis a doenças, alterações no clima e pressões ecológicas, aumentando o risco de desaparecimento.
22.
A preservação dos recursos hídricos é essencial porque a água de boa qualidade sustenta a vida em todos os níveis, desde microorganismos até grandes vertebrados. Ecossistemas aquáticos e terrestres dependem da água limpa para manter cadeias alimentares, processos reprodutivos e ciclos ecológicos. Quando a água é contaminada, espécies perdem condições de sobrevivência, comprometendo toda a estrutura ambiental.
Por Tânia Cabral - Professora de Biologia e Ciências do Ensino Fundamental e Médio - graduada na Unesp, 2001.
Publicado em 21/01/2026
