Animais Extintos

 

O que são?


Animais extintos são espécies que deixaram de existir de forma definitiva, não havendo mais indivíduos vivos em qualquer parte do planeta. A extinção é um fenômeno natural ao longo da história da Terra, relacionado a mudanças ambientais, climáticas e geológicas. No entanto, a partir da intensificação das atividades humanas, especialmente desde o Neolítico e, de forma mais acentuada, após a Revolução Industrial do século XVIII, o ritmo de extinção tornou-se significativamente mais acelerado. A caça excessiva, a destruição de habitats, a introdução de espécies invasoras e as alterações climáticas provocadas pela ação humana estão entre os principais fatores responsáveis pelo desaparecimento de inúmeras espécies animais.

 

Exemplos de animais extintos e suas características:

 

Dodô (Raphus cucullatus)

O dodô era uma ave de grande porte, incapaz de voar, que habitava a ilha Maurício, no oceano Índico, até o século XVII. Possuía corpo robusto, asas reduzidas, bico grande e curvado e comportamento dócil, resultado da ausência de predadores naturais em seu ambiente. A extinção do dodô ocorreu por volta de 1681, principalmente devido à caça predatória realizada por navegadores europeus e à introdução de animais como porcos, ratos e cães, que destruíam seus ninhos e competiam por alimento.



Mamutelã-peludo (Mammuthus primigenius)

O mamutelã-peludo era um grande mamífero herbívoro, semelhante aos elefantes atuais, que viveu nas regiões frias da Eurásia e da América do Norte durante o Pleistoceno, até cerca de 4.000 a.C. Apresentava longas presas curvas, pelagem espessa e uma camada de gordura que o protegia do frio intenso. Sua extinção está associada às mudanças climáticas ocorridas após a última glaciação e à caça realizada por grupos humanos pré-históricos.



Tigre-dente-de-sabre (Smilodon fatalis)

O tigre-dente-de-sabre foi um grande felino predador que viveu nas Américas entre aproximadamente 2,5 milhões de anos atrás e cerca de 10.000 a.C. Caracterizava-se pelos longos caninos superiores, utilizados para perfurar e imobilizar grandes presas. Habitava ambientes abertos e florestais e alimentava-se de grandes herbívoros. A extinção da espécie está relacionada à redução de presas após o fim da Era do Gelo e à pressão da caça humana.



Auroque (Bos primigenius)

O auroque era um grande bovino selvagem, ancestral do gado doméstico, que habitou vastas regiões da Europa, Ásia e norte da África. Possuía porte elevado, chifres longos e comportamento agressivo. A espécie sobreviveu até o século XVII, sendo o último indivíduo registrado morto em 1627, na Polônia. Sua extinção ocorreu devido à caça intensa e à perda de habitat causada pela expansão agrícola e urbana.



Alce-irlandês (Megaloceros giganteus)

O alce-irlandês foi um grande cervídeo que viveu na Europa e na Ásia durante o Pleistoceno, sendo extinto por volta de 7.700 a.C. Destacava-se por suas enormes galhadas, que podiam ultrapassar três metros de largura. Habitava planícies e florestas abertas e alimentava-se de vegetação rasteira. A extinção está relacionada a mudanças climáticas e à dificuldade de adaptação a ambientes florestais mais densos após o fim das glaciações.



Preguiça-gigante (Megatherium americanum)

A preguiça-gigante foi um grande mamífero herbívoro que viveu na América do Sul até cerca de 8.000 a.C. Podia atingir mais de seis metros de comprimento quando erguida e alimentava-se de folhas, galhos e frutos. Habitava áreas abertas e florestais. Sua extinção está associada à caça realizada por grupos humanos e às transformações ambientais ocorridas no final do Pleistoceno.



Quaga (Equus quagga quagga)

A quaga era uma subespécie de zebra que viveu no sul da África até o século XIX. Apresentava listras apenas na parte frontal do corpo, enquanto o restante possuía coloração marrom uniforme. Foi intensamente caçada por colonos europeus para obtenção de carne e couro. O último indivíduo conhecido morreu em cativeiro em 1883, no zoológico de Amsterdã.



Tigre-da-Tasmânia (Thylacinus cynocephalus)

O tigre-da-Tasmânia, também conhecido como tilacino, era um marsupial carnívoro que habitou a Austrália, a Tasmânia e a Nova Guiné até o século XX. Possuía aparência semelhante à de um cão, com listras escuras na parte posterior do corpo. Sua extinção ocorreu em 1936, devido à caça incentivada por fazendeiros, que o consideravam uma ameaça ao gado, além da competição com cães introduzidos.



Pombo-passageiro (Ectopistes migratorius)


O pombo-passageiro foi uma ave que viveu na América do Norte e formava bandos com milhões de indivíduos. Possuía tamanho médio e coloração acinzentada. A espécie foi extinta em 1914, principalmente devido à caça em larga escala e à destruição das florestas onde se reproduzia. A redução rápida da população impediu sua recuperação natural.



Moas (Dinornithiformes)

As moas eram aves gigantes incapazes de voar que habitavam a Nova Zelândia até aproximadamente o século XV. Podiam atingir até três metros de altura e alimentavam-se de plantas. A extinção ocorreu após a chegada dos povos polinésios, que caçaram intensamente essas aves e modificaram seus habitats por meio de queimadas.



Rinoceronte-lanoso (Coelodonta antiquitatis)

O rinoceronte-lanoso viveu nas regiões frias da Europa e da Ásia durante o Pleistoceno, sendo extinto por volta de 10.000 a.C. Possuía corpo robusto, pelagem espessa e chifres longos. Alimentava-se de gramíneas e arbustos. A extinção está relacionada às mudanças climáticas e à pressão da caça humana.



Urso-das-cavernas (Ursus spelaeus)

O urso-das-cavernas foi um grande mamífero que habitou a Europa até cerca de 24.000 a.C. Utilizava cavernas como abrigo e possuía dieta predominantemente herbívora. A extinção ocorreu devido às mudanças climáticas do final da última glaciação e à competição com humanos por abrigos naturais.



Leão-das-cavernas (Panthera spelaea)

O leão-das-cavernas viveu na Europa e na Ásia durante o Pleistoceno, sendo extinto por volta de 12.000 a.C. Era maior que os leões atuais e adaptado a climas frios. Alimentava-se de grandes herbívoros. Sua extinção está associada à redução de presas e à caça humana.



Gliptodonte (Glyptodon clavipes)

O gliptodonte foi um grande mamífero herbívoro que viveu na América do Sul até cerca de 10.000 a.C. Possuía uma carapaça rígida semelhante à dos tatus atuais, porém de tamanho muito maior. Habitava áreas abertas e alimentava-se de vegetação rasteira. A extinção está relacionada à caça e às mudanças ambientais.



Macrauquênia (Macrauchenia patachonica)


A macrauquênia era um mamífero herbívoro que viveu na América do Sul até cerca de 8.000 a.C. Apresentava corpo semelhante ao de um camelo, com pescoço alongado e uma provável tromba curta. Habitava planícies e áreas abertas. Sua extinção está associada à ação humana e às transformações climáticas.



Pássaro-elefante (Aepyornis maximus)


O pássaro-elefante foi uma ave gigante incapaz de voar que viveu em Madagascar até aproximadamente o século XVII. Podia ultrapassar três metros de altura e colocava os maiores ovos conhecidos entre os animais terrestres. A extinção ocorreu devido à caça e à coleta de ovos realizada por populações humanas.



Hiena-gigante (Pachycrocuta brevirostris)

A hiena-gigante viveu na África, Europa e Ásia durante o Pleistoceno. Era maior e mais robusta que as hienas atuais, alimentando-se de grandes carcaças e presas. A extinção está relacionada às mudanças ambientais e à competição com outros grandes carnívoros e humanos.



Cervo-de-Schomburgk (Rucervus schomburgki)

O cervo-de-Schomburgk habitou áreas alagadas do sudeste asiático até o início do século XX. Possuía galhadas longas e ramificadas. A extinção ocorreu em 1938, principalmente devido à conversão de áreas úmidas em terras agrícolas e à caça.



Búfalo-azul (Bos sauveli)

O búfalo-azul viveu no sudeste asiático até o século XX. Era um grande bovino de coloração acinzentada ou azulada. A extinção ocorreu por volta da década de 1930, em razão da caça excessiva e da perda de habitat.



Foca-monge-do-Caribe (Neomonachus tropicalis)


A foca-monge-do-Caribe habitou o mar do Caribe e o golfo do México até o século XX. Era um mamífero marinho de comportamento dócil, o que facilitou sua caça. A extinção foi confirmada em 1952, causada pela exploração intensa para obtenção de óleo e carne.



Peixe-mão-liso (Sympterichthys unipennis)


O peixe-mão-liso foi uma espécie marinha que viveu na costa da Austrália. Possuía nadadeiras modificadas que lembravam mãos, utilizadas para se locomover no fundo do mar. Foi declarado extinto no início do século XXI, devido à degradação ambiental e à pesca predatória.



Canguru-rato-deserto-central (Caloprymnus campestris)


Esse pequeno marsupial habitou regiões áridas da Austrália até meados do século XX. Alimentava-se de sementes e pequenos vegetais. A extinção ocorreu por volta de 1935, causada pela introdução de predadores exóticos e pela degradação do habitat.



Leão-do-atlas (Panthera leo leo)


O leão-do-atlas viveu no norte da África até o século XIX. Era maior e mais robusto que os leões africanos atuais. Habitava áreas montanhosas e florestais. A extinção ocorreu devido à caça intensiva, especialmente durante a expansão colonial europeia.



Cervo-gigante-da-Sardenha (Megaloceros cazioti)


Esse cervo habitou a ilha da Sardenha até cerca de 8.000 a.C. Era menor que o alce-irlandês, porém possuía galhadas largas. Sua extinção está relacionada ao isolamento geográfico e às mudanças ambientais após o fim da última glaciação.



Papagaio-do-Carolina (Conuropsis carolinensis)


O papagaio-do-Carolina foi a única espécie de papagaio nativa do leste dos Estados Unidos. Possuía plumagem verde com detalhes amarelos e laranja. A extinção ocorreu em 1918, devido à caça, à destruição de florestas e à captura para comércio ilegal.



Cavalo-americano (Equus ferus ferus)

O cavalo-americano habitou a América do Norte até cerca de 10.000 a.C. Era semelhante aos cavalos modernos e vivia em grandes planícies. A extinção ocorreu no final do Pleistoceno, associada às mudanças climáticas e à caça humana, sendo reintroduzido no continente apenas após a chegada dos europeus no século XVI.

 

 

 

Pintura do século XVII mostrando a ave Dodô

Dodô (Raphus cucullatus): ave extinta no século XVII.

 

 

"O Efeito Lázaro"

 

Existem espécies que foram consideradas extintas e que, posteriormente, foram redescobertas. Esse fenômeno é conhecido na Biologia da Conservação como "Efeito Lázaro", expressão utilizada para designar espécies que desaparecem dos registros científicos por longos períodos e reaparecem após novas observações ou expedições. Em geral, essas redescobertas ocorrem em regiões de difícil acesso, habitats pouco estudados ou áreas que passaram a ser melhor investigadas com o avanço de técnicas de monitoramento ambiental.

Um dos casos mais conhecidos é o do celacanto, um peixe de aparência primitiva que se acreditava extinto há cerca de 65 milhões de anos, desde o final do Cretáceo. Em 1938, um exemplar foi capturado na costa da África do Sul, revelando que a espécie ainda sobrevivia em águas profundas do oceano Índico. O celacanto tornou-se um símbolo da persistência de linhagens antigas e da limitação do conhecimento humano sobre os oceanos.

Outro exemplo significativo é o da rã-de-hula, um anfíbio endêmico da região do vale do rio Hula, em Israel. Considerada extinta desde a década de 1950, após a drenagem de áreas alagadas, a espécie foi redescoberta em 2011. Sua reaparição evidenciou a capacidade de algumas espécies de sobreviverem em microambientes remanescentes, mesmo após alterações ambientais severas.

Também merece destaque o cágado-de-Fernandina, uma espécie de tartaruga terrestre das ilhas Galápagos. Durante décadas, acreditou-se que essa espécie estivesse extinta devido à caça e à introdução de espécies invasoras. Em 2019, um indivíduo vivo foi encontrado na ilha Fernandina, indicando a possibilidade de uma população residual ainda existente.

Na Ásia, o saola, um mamífero de grande porte aparentado aos bovinos, foi descrito cientificamente apenas na década de 1990, apesar de indícios anteriores sugerirem sua possível extinção. Extremamente raro e discreto, o saola vive em florestas montanhosas do Vietnã e do Laos, sendo considerado um dos mamíferos mais ameaçados do mundo.

Esses casos demonstram que a classificação de uma espécie como extinta depende do conhecimento disponível em determinado momento histórico. A ausência de registros não significa, necessariamente, o desaparecimento definitivo. Ao mesmo tempo, as redescobertas não devem ser interpretadas como sinal de segurança, pois essas espécies geralmente permanecem em situação crítica, com populações pequenas e altamente vulneráveis. Assim, o fenômeno reforça a importância de pesquisas contínuas, da preservação de habitats e do investimento em políticas eficazes de conservação da biodiversidade.

 

 


 

Por Tânia Cabral - Professora de Biologia e Ciências do Ensino Fundamental e Médio - graduada na Unesp, 2001.

Publicado em 14/01/2026